Atravessar a BR-316, na região dos bairros Santo Antônio, Promorar e Bela Vista, na zona Sul de Teresina, por exemplo, faz parte da rotina de milhares de moradores. Mas um trajeto que deveria durar poucos segundos tem se transformado diariamente em um desafio marcado por medo, longas esperas e risco constante de atropelamentos. Os moradores cobram por uma solução e uma travessia segura.
Nos horários de maior movimento, pedestres chegam a aguardar mais de dez minutos por uma oportunidade de cruzar a pista. Enquanto observam o intenso fluxo de carros, motocicletas, ônibus e caminhões, muitos permanecem às margens da rodovia esperando um espaço seguro para atravessar.
Quando a chance aparece, a travessia acontece às pressas. Em alguns casos, os moradores chegam a correr entre os veículos para alcançar o outro lado da BR.

A preocupação não é apenas uma sensação. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, somente neste ano, foram registrados sete atropelamentos nesse trecho da rodovia. Três pessoas morreram.
O caso mais recente foi o da idosa Luzia Maria, de 81 anos, atropelada enquanto tentava atravessar a BR-316.
Entre as famílias que convivem com o problema está a de Vilmar Alves, que perdeu o filho Wadison em um atropelamento ocorrido no mesmo trecho em 2022.
Para ele, a falta de uma estrutura segura para pedestres continua colocando vidas em risco todos os dias.
“Uma dor muito grande a gente perder um filho. Os acidentes acontecem aqui diariamente. O que nós estamos pedindo é uma passarela para evitar mais esse tipo de acontecimento. Já perdemos a conta de quantas pessoas morreram nessa BR. Já passou do tempo de fazer essa passarela”, desabafou.
Segundo os moradores, a situação é conhecida há anos, mas nenhuma solução definitiva saiu do papel.

SERVIÇOS DO OUTRO LADO
A dificuldade é ainda maior porque, segundo os moradores, boa parte dos serviços essenciais utilizados pela população está localizada do outro lado da BR.
Farmácias, supermercados, unidades de saúde e outros estabelecimentos obrigam moradores a enfrentar diariamente a travessia.
A autônoma Raimunda dos Santos Nascimento afirma que o problema é antigo e que os acidentes são frequentes.
“Eu acho um descaso das autoridades com a gente aqui. Já aconteceram muitos acidentes. Quase todo mês acontece alguma coisa e ninguém resolve. Só prometem e nada é feito”, afirmou.
Quem tem filhos pequenos também convive com o temor permanente de um acidente. A dona de casa Karla Marcelle atravessa a BR diariamente para levar os filhos à escola e, muitas vezes, precisa fazer o percurso segurando uma criança de colo.
“Às vezes eu espero meu esposo ou minha mãe para me ajudar a passar. É muito perigoso. Todo santo dia é assim. Com crianças fica ainda mais difícil”, contou.
A situação se agrava porque as passarelas existentes ficam a aproximadamente um quilômetro de distância da área mais utilizada pelos moradores.

PRF PROPÕE SEMÁFOROS
Diante do número de acidentes, a Polícia Rodoviária Federal realizou estudos na região e já apresentou sugestões para reduzir os riscos.
Segundo o superintendente da PRF no Piauí, Cláudio Piazzarollo, a solução mais viável, neste momento, seria a instalação de dois semáforos ao longo do trecho.
“Nós imaginamos que a solução, a princípio, são dois semáforos. Um na altura do Lorival Parente, para atender aquela região, e outro próximo ao Bela Vista, para garantir acesso ao Promorar e permitir que as pessoas façam essa travessia com segurança”, explicou.

O superintendente informou ainda que a PRF está finalizando um estudo mais amplo sobre pontos críticos de acidentes em rodovias federais do estado.
“Nós levantamos cada ponto com uso de drones e identificamos qual seria a solução mais adequada para reduzir os acidentes. Esse relatório será entregue aos órgãos responsáveis e aos municípios envolvidos”, afirmou.
Moradores relatam que participaram de reuniões com representantes do poder público no início do ano e ouviram promessas sobre a construção de uma nova estrutura para pedestres. Até a publicação desta matéria, porém, nenhuma obra foi iniciada.
A dona de casa Maria Edna da Silva, mãe de Wadison, afirma que a dor da perda continua presente e teme que outras famílias passem pela mesma situação.
“Até quando uma mãe vai sentir a mesma dor que eu sinto há quatro anos? Perder um filho é tirar um pedaço da gente. Todos os dias passam crianças, trabalhadores, idosos. E os atropelamentos continuam acontecendo”, lamentou.
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