
Cerca de 1,3 mil pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aguardam vagas para iniciar terapias contínuas no Centro Especializado de Atendimento às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista do Piauí (CETEA). Os pacientes já passaram pela triagem inicial, mas ainda não começaram o tratamento. Os dados foram apresentados pela própria unidade ao Ministério Público do Piauí (MPPI) e constam em documento disponibilizado no Diário Oficial do órgão nesta quinta-feira (29).
O Portal ClubeNews tenta contato com a Secretaria de Saúde para manifestação sobre o acumulo de pessoas na espera de terapias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para maiores esclarecimentos.
De acordo com a 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, o CETEA informou inicialmente que aproximadamente 900 pessoas aguardavam o início das terapias, com tempo médio de espera estimado em seis meses. Posteriormente, a unidade atualizou o número para cerca de 1.300 pacientes na fila, enquanto aproximadamente 500 estavam em acompanhamento.
O documento também aponta que, entre março e agosto de 2026, foram realizadas 616 triagens, mas nenhum novo paciente ingressou nas terapias contínuas nesse período. Segundo as informações apresentadas ao MPPI, a situação ocorreu porque a capacidade de atendimento da unidade já estava totalmente ocupada.
Ministério Público investiga fila de espera
O procedimento teve início após uma demanda individual relacionada à dificuldade de acesso ao tratamento especializado. Durante a apuração, o Ministério Público identificou que a situação poderia atingir um número maior de pacientes.
Diante dos dados, a promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão ampliou o objeto do Procedimento Preparatório nº 25/2026 para investigar a insuficiência da oferta de terapias contínuas e possíveis irregularidades no acesso ao CETEA.
A investigação também deverá apurar as medidas adotadas pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) para garantir assistência aos pacientes que aguardam tratamento.
Entre os pontos que serão analisados estão os critérios de prioridade, o tempo de espera, a capacidade de atendimento e as alternativas disponíveis na rede pública para reduzir a demanda reprimida.
O Ministério Público destacou que a realização da triagem inicial não garante, por si só, o acesso às terapias necessárias. O órgão também considera que o atendimento deve ser acompanhado desde a regulação inicial até o efetivo início do tratamento indicado.
Outro procedimento aponta 2,3 mil pacientes aguardando terapias
Em outro procedimento publicado na mesma edição do Diário Oficial, a 12ª Promotoria de Justiça registrou informações da Sesapi sobre 2.312 pacientes aguardando o início das terapias.
O caso envolve um adolescente com autismo nível 3 de suporte, que permanecia na fila com previsão de 179 dias para realizar a triagem.
Os documentos não esclarecem se o total de 2.312 pacientes considera os mesmos critérios utilizados pelo CETEA no levantamento dos 1.300 usuários que já passaram pela avaliação inicial. Por isso, os dois números não devem ser somados.
O Ministério Público instaurou um procedimento específico para investigar a possível demora excessiva no atendimento ao adolescente.
No procedimento coletivo, a promotoria determinou a continuidade das diligências e a análise das informações solicitadas à rede estadual de saúde. Até o momento, o documento não estabelece prazo para a abertura de novas vagas ou para o início das terapias dos pacientes que estão na fila.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!