9 de maio de 2026

Baixa vacinação contra pólio preocupa e Ministério da Saúde prorroga campanha

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Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil

O Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da campanha de vacinação contra a poliomielite até o dia 30 de setembro. Segundo a pasta, a medida foi tomada por conta da baixa adesão vacinal. Até a terça-feira (6), o ministério computava que, durante a campanha, apenas 35% das crianças na faixa etária entre 1 e 5 anos de idade haviam sido imunizadas.

A meta da campanha é alcançar uma cobertura igual ou maior que 95% neste público. Emanuelle Dias, coordenadora de vacinação da Fundação Municipal de Saúde (FMS), em Teresina,  reforça que é de extrema importância que pais e responsáveis estejam indo até os postos de vacinação para fazer a imunização de suas crianças.

“Essa campanha era pra acontecer até o dia 9 agora e devido a baixa procura, nacionalmente estamos coma cobertura em torno de 35% e por esse motivo a campanha foi estendida. Reforçamos que a vacina da pólio está disponível de segunda a segunda, temos Unidades Básicas de Saúde funcionando também nos finais de semana para que nenhum dos pais deixem de levar seus filhos para atualizar o cartão de vacina”, comenta.

Baixa cobertura preocupa especialistas

A baixa cobertura vacinal contra a doença observada no Brasil nos últimos anos tem preocupado especialistas. A  assessora técnica do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Programa Nacional de Imunizações, Caroline Gava, alerta que esse cenário pode provocar a reintrodução do vírus no país.

“Aqui no país, nós temos um risco de reintrodução [do vírus] com esse cenário de baixa cobertura vacinal. As últimas campanhas exclusivas [para a pólio] foram em 2018 e em 2020, onde já não alcançamos boas metas de cobertura vacinal. E hoje ela está muito aquém do que a gente desejaria”.

A poliomielite, que causa paralisia infantil e pode ser fatal, chegou a ser uma das doenças mais temidas no mundo. Mas, com a vacinação, o Brasil deixou de apresentar casos da doença desde 1989, tendo recebido, em 1994, um certificado de eliminação da doença. No entanto, com a baixa cobertura vacinal e problemas relacionados à vigilância epidemiológica e condições sociais, o Brasil voltou a figurar como um país de grande potencial para a volta da doença.

“Em uma avaliação de risco feito nas Américas e no Caribe pela Opas [Organização Pan-Americana de Saúde], considerando variáveis como cobertura vacinal, vigilância epidemiológica e outros determinantes de saúde, o Brasil aparece em segundo lugar, como de altíssimo risco para a reintrodução da pólio, só antecedido pelo Haiti”, disse a infectologista Luiza Helena Falleiros Arlant, que integra o Núcleo Assessor Permanente da Sociedade Latinoamericana de Infectologia Pediátrica (Slipe).

Situação mais grave em Picos

No Piauí, a situação chegou a um estado preocupante no município de Picos. De acordo com a Coordenação de Imunização do município, a média de vacinação está bem abaixo da média nacional, chegando a 25%.

“Aqui em Picos, cerca de mil crianças foram vacinadas, e o total de crianças que devemos vacinar são quase quatro mil, então a gente reforça o convite as mães, pais, ou responsáveis, que não deixem de estar levando as crianças aos postos de vacinas, para estarem vacinando elas contra a poliomielite, são apenas duas gotinhas, e só através da vacinação é que vamos conseguir manter a poliomielite erradicada no nosso país”, pontuou Mariana Fontes, coordenadora de vacinação.

Em Picos foram disponibilizadas 18 salas de vacinação, 16 fixas na área urbana e duas na parte rural. Para o interior, onde não há salas fixas, haverá o agendamento da imunização.

“Os pais devem comparecer aos locais de vacinação, levando a Carteira de Vacina e o Cartão do SUS. Lembramos que os locais de vacinação serão as Unidades Básicas de Saúde (UBS), e aquelas UBS que não possuem sala de vacina fixa, terão que ir na Secretaria de Saúde, para agendar um dia para levar as vacinas até a localidade”.

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