23 de junho de 2026

Piauí acumula déficit de R$ 300 milhões na previdência estadual

Por mês, o déficit chega a cerca de R$ 25 milhões.

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O Piauí possui um déficit de R$ 300 milhões nas contas públicas referente à previdência dos servidores estaduais, segundo dados da Fundação Piauí Previdência (PiauíPrev). A diferença entre o que o Governo arrecada e o que é gasto com aposentadorias e pensões gera um prejuízo milionário, que chegava a R$ 25 milhões em setembro de 2025.

Atualmente, o Piauí possui 44 mil inativos, entre homens e mulheres, que se dividem entre a aposentadoria e o recebimento de pensões. São pessoas que dependem diretamente dos repasses, que exigem um esforço milionário do Poder Executivo.

Sede da Piauí Previdência (Foto: Governo do Piauí)

O presidente da Piauí Previdência, Flávio Chaib, em entrevista à TV Clube, afirmou que o saldo negativo anterior chegava a cerca de R$ 1,6 bilhão e que o principal desafio é equacionar as despesas com a arrecadação. Apesar da redução do valor, os números ainda assustam.

“Vale destacar que além do déficit financeiro, tem o déficit atuarial. É uma projeção futura dos ativos e inativos que nós vamos receber e pagar. O nosso grande desafio é equilibrar receitas e despesas. É melhorar a arrecadação através das contribuições”, disse

(Foto: TV Clube)

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Piauí (Sinpolpi), Isac Vilarinho, afirma que o déficit foi provocado pelo Estado, que não efetivou os devidos repasses, entre 1988 e 2004, e agora provoca ônus para o servidor.

“O estado alega um déficit autuarial colocando todo o ônus da carga para o servidor quando o próprio estado não cumpriu com a sua obrigação constitucional. O que a gente alega é que não pode colocar o peso de um rombo atual para o servidor do estado”, criticou Vilarinho.

Modelo preocupante

Um estudo da Secretaria de Planejamento (Seplan) revela que a população do estado deve atingir o pico em 2036 e começar a encolher no ano seguinte. Em 2070, o Piauí terá menos habitantes e a maioria absoluta terá entre 60 e 74 anos de idade.

Essa mudança na pirâmide da idade força o poder público a recalcular o impacto das despesas da previdência nas próximas décadas, incluindo o cálculo de onde investir o fundo previdenciário, atualmente todo aplicado em bancos estatais.

“Não há motivo de preocupação. Estamos com um índice de situação previdenciária B. A previdência sempre é uma preocupação. Não podemos dizer que não tem preocupação, mas do ponto de vista comparativo com os demais estados nós estamos em uma situação equilibrada”, pontuou Flávio Chaib.

Estratégia

Para evitar que o sistema colapse e garantir o dinheiro no bolso de quem trabalhou e contribuiu a vida inteira, a gestão financeira do Estado busca alternativas de receita e aplica aportes mensais pesados para dar sustentabilidade ao fundo.

“O governador tem ciência e tem tentado várias alternativas para ver se a previdência trabalha também outras fontes de recursos para que a gente possa cada vez mais dar a garantia de quem se aposenta também possa estar recebendo seus recursos”, disse o secretário de Fazenda do Piauí, Emílio Júnior.


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