O advogado de defesa de Douglas Fonseca, Djalma Filho, afirmou à Rede Clube, nesta segunda-feira (20), que o empresário declarou possuir entre seis e sete vezes o valor estimado em R$ 355 milhões informado pela DF Group, empresa da qual é proprietário. Segundo a defesa, os recursos seriam suficientes para quitar os débitos com os investidores.
Apesar da afirmação, ainda não há confirmação sobre a localização desse montante. Existe a possibilidade de parte dos recursos estar depositada em contas no exterior.
“Ele usa a expressão ‘servidor’. Então, existem recursos que podem estar aqui [no Brasil], existem recursos que podem estar fora [outros países]. Se esses recursos estiverem fora, repatriar valores importa em recolher tributos […] Ele disse nos autos que são R$ 355 milhões a soma de tudo, quanto seria os averes da empresa em relação aos terceiros, mas, também, ele diz que tem seis ou sete vezes os valores para pagar a todos”, pontuou.
Além disso, de acordo com Djalma Filho, Douglas pretende quitar, em breve, as dívidas com os clientes. Um dos principais entraves apontados pela defesa são os bloqueios financeiros determinados pela Justiça contra a DF Group.
Douglas Fonseca (foto: reprodução / Instagram)
Segundo o advogado, os sucessivos bloqueios impediram que valores que ingressavam nas contas fossem identificados pela polícia, já que os recursos teriam sido retirados em cumprimento a decisões judiciais durante as investigações. A Polícia Civil encontrou apenas R$ 38 na conta do empresário.
“Durante esses 60 dias, houve vários bloqueios de natureza cível. Em Luís Correia, por exemplo, o juiz bloqueou três ou quatro vezes recursos da conta dele [Douglas Fonseca], juízes daqui, de Teresina, igualmente. Houve juízes que tiveram a prudência, a parcimônia de ouvir a outra parte antes de decretar o bloqueio”, ressaltou.
Durante a entrevista, Djalma também reiterou a inocência do cliente em relação às acusações de estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na avaliação da defesa, houve prisões consideradas injustas e desnecessárias ao longo da investigação.
“O estelionato exige, obrigatoriamente a má fé, a vontade de fraudar as pessoas. Se durante oito anos todos estiveram satisfeitos e agora problemas financeiros ocasionais geraram problemas, eu não vejo como identificar aquilo que na nossa linguagem é o ‘dolo específico’, a vontade de cometer o crime”, concluiu.
A Rede Clube procurou a Polícia Civil para comentar as declarações da defesa de Douglas Fonseca, mas a instituição não quis se manifestar.
Douglas é investigado junto com outras 10 pessoas. O grupo é suspeito de aplicar golpes financeiros envolvendo investimentos com promessa de alto retorno.
Mais de 500 pessoas procuraram a Polícia Civil desde as prisões, ocorridas no dia 11 de julho. Os denunciantes afirmam ter perdido dinheiro após investir em aplicações que prometiam rendimentos muito acima dos praticados pelo mercado financeiro.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou à TV Clube que investiu R$ 5 mil na empresa DF Group, que prometia rendimentos de 10% ao mês. Segundo o depoimento, a aplicação foi feita por meio de um aplicativo próprio da empresa. No entanto, após seis meses, o investidor afirma que não recebeu nenhum valor de retorno.
Douglas costumava publicar fotos e vídeos em aeronaves para ostentar nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil do Piauí, o esquema movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos.
De acordo com as investigações, os registros publicados nas redes eram considerados uma “ostentação fabricada”, usada para transmitir credibilidade a possíveis investidores.