22 de agosto de 2026

Dia do Folclore: escritora piauiense transforma lendas populares em literatura

ais do que reunir lendas conhecidas, o projeto busca transformar em literatura parte de um patrimônio cultural que ainda resiste na memória de comunidades, famílias e contadores de histórias.

Compartilhe:

Dia do Folclore: escritora piauiense transforma lendas populares em literatura para preservar memória cultural (Foto: Reprodução)

Em um tempo em que muitas histórias sobrevivem apenas na memória de quem as ouviu e continua a contá-las, o Dia do Folclore, celebrado neste sábado (22), reforça a importância de preservar tradições, lendas e narrativas populares que ajudam a construir a identidade cultural de um povo. Foi justamente com esse propósito que a escritora piauiense Ystefani Lima criou Onde as Lendas Ainda Vivem, obra lançada digitalmente em 2025 que reúne releituras de lendas do Piauí e do Maranhão.

O livro pode ser acessado de forma gratuita no fim da matéria.

Atualmente em processo de produção da versão impressa e com uma segunda edição ampliada já em preparação, o livro nasceu do desejo de registrar histórias transmitidas pela oralidade e fazer com que elas cheguem às próximas gerações. Mais do que reunir lendas conhecidas, o projeto busca transformar em literatura parte de um patrimônio cultural que ainda resiste na memória de comunidades, famílias e contadores de histórias.

Natural de Piracuruca, no Norte do Piauí, Ystefani cresceu ouvindo narrativas contadas por avós, familiares e moradores mais antigos. Histórias que atravessavam gerações sem precisarem estar registradas em livros. Anos depois, ao se mudar para São Luís, no Maranhão, percebeu que a mesma tradição permanecia viva em outro território, cercada por personagens, mistérios e crenças populares.

Foi desse encontro entre os dois estados que surgiu Onde as Lendas Ainda Vivem. A autora utiliza lendas e narrativas populares como ponto de partida para construir novos enredos, personagens e universos ficcionais. Ao longo dos seis contos da obra, temas como memória, ancestralidade, identidade, amor, perda e esquecimento se misturam a cenários reais e elementos fantásticos.

Entre as histórias está A Serpente Encantada, releitura de uma das lendas mais conhecidas de São Luís. No conto, a personagem Lia Duarte passa a ouvir sussurros vindos das ruas do Centro Histórico e descobre que a serpente adormecida sob a cidade está ligada àquilo que a própria São Luís deixou de lembrar.

Já em As Sete Cidades Encantadas, a autora transforma as formações rochosas do Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, em vestígios de antigos reinos mágicos marcados por amores proibidos, pactos e maldições. A coletânea também revisita a lenda de Ana Jansen em A Noiva que Nunca Chegou à Igreja, aborda a ancestralidade da Serra da Capivara em A Última Fogueira da Terra, explora os mistérios dos Lençóis Maranhenses em Encantados dos Lençóis e retorna a Piracuruca em Os Irmãos Dantas.

Embora cada conto tenha sua própria narrativa, todos são atravessados por uma mesma reflexão: o que acontece com uma história quando ninguém mais se lembra dela?

Para Ystefani, preservar uma lenda significa muito mais do que manter viva uma história fantástica. É também preservar a memória coletiva de uma comunidade, suas referências culturais e a forma como diferentes gerações enxergam o lugar onde vivem.

Por isso, a obra é dedicada àqueles que a autora define como “bibliotecas vivas” — avós, professores, moradores antigos e contadores de histórias que mantêm tradições orais vivas mesmo sem registros escritos.

“Temos tantas histórias bonitas aqui. Histórias que nasceram nas nossas cidades, nas nossas serras, nos nossos rios, nas nossas ruas e que sobreviveram porque alguém continuou contando. Meu desejo é que elas não desapareçam. Quero que uma criança, daqui a muitos anos, ainda possa encontrá-las, conhecê-las e entender que tudo isso também pertence a ela”, afirma.

A proposta ganha ainda mais significado neste Dia do Folclore, data que celebra justamente os saberes populares transmitidos de geração em geração. Enquanto prepara a versão impressa do livro e uma nova edição ampliada, com mais cidades piauienses e histórias de outros lugares, Ystefani pretende continuar pesquisando e registrando narrativas ligadas à memória popular.

“Eu vejo esse livro como um tributo a quem contou essas histórias antes de nós, mas também a quem ainda vai nascer. Temos um patrimônio oral imenso, tantas histórias incríveis e tantos lugares que merecem ser lembrados. Quero eternizar um pouco disso através da literatura. Se essas histórias chegaram até a nossa geração porque alguém as contou, talvez agora seja a nossa vez de garantir que continuem seguindo adiante”, diz.


📲 Siga o Portal ClubeNews no Instagram e no Facebook.

Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui! 

Leia também: