13 de julho de 2026

Defesa de mulher que tentou levar bebê de maternidade vai pedir soltura em Teresina

De acordo com a defesa, a suspeita foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo com sintomas esquizofrênicos após avaliação no Hospital Areolino de Abreu.

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A defesa de Auricélia de Sousa Rocha afirmou, nesta segunda-feira (13), que vai pedir à Justiça a soltura da mulher suspeita de tentar levar uma recém-nascida da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina.

Auricélia foi presa após receber alta do Hospital Areolino de Abreu, onde, segundo a defesa, passou por avaliação psiquiátrica e foi diagnosticada com Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos.

Defesa de mulher que tentou levar bebê de maternidade vai pedir soltura em Teresina (Foto: Reprodução)

Em nota, o advogado Tiago Carvalho Moreira afirmou que a defesa respeita a família da bebê, os profissionais da maternidade e o trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, mas destacou que a condição de saúde mental da investigada precisa ser considerada no processo.

Segundo a defesa, Auricélia permaneceu em observação no Hospital Areolino de Abreu e recebeu alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.

O advogado informou ainda que juntou ao processo documentos que apontam que a suspeita fazia uso de medicação psiquiátrica. A defesa afirma que ela apresenta comprometimento na compreensão da realidade e dificuldade para entender a gravidade dos fatos investigados.

Apesar disso, o advogado destacou que não cabe à defesa antecipar conclusões sobre a responsabilidade criminal da investigada, que deverá ser avaliada por meio de perícia.

A defesa informou que vai protocolar um pedido de revogação da prisão preventiva. Caso o pedido não seja aceito, também poderá apresentar habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Piauí.

De acordo com o advogado, o objetivo não é minimizar a gravidade do caso nem desrespeitar o sofrimento da família da recém-nascida, mas garantir que a investigada tenha seus direitos preservados e receba tratamento médico adequado.

A defesa afirmou ainda que confia no trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário e espera que as decisões sejam tomadas com base nas provas do processo, nos documentos médicos e na legislação.

Entenda o caso

Foto: Governo do Piauí

A mãe de uma recém-nascida alvo de uma tentativa de sequestro na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa relatou à TV Clube que está com o psicológico “acabado” após o episódio. A família, que mora na zona rural de Castelo do Piauí, afirma que a maternidade não prestou o apoio necessário no momento do ocorrido e que a polícia só foi acionada após a repercussão do caso.

Segundo os familiares, uma mulher tentou sair da unidade com a bebê, mas foi impedida por parentes da criança. A mãe, que é adolescente, contou que só soube da situação ao acordar após o parto, quando percebeu a irmã chorando.

Família de recém-nascida vítima de suposta tentativa de sequestro denuncia negligência médica no Piauí (Foto: Vitória Bacelar)

Além da tentativa de retirada da recém-nascida, a família também denuncia uma possível negligência médica. Parentes afirmam que, após o parto, uma tampa de agulha de anestesia teria saído do corpo da adolescente durante um procedimento.

A família também reclama que não teve acesso às imagens das câmeras de segurança e diz que não se sentiu acolhida pela maternidade após o caso.

CONFIRA A NOTA COMPLETA

A defesa técnica de Auricélia de Sousa Rocha, representada pelo advogado Tiago Carvalho Moreira (OAB/PI nº 16.503 | OAB/MA nº 24.219-A), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.

Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.

Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.

Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.

No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.

A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.

É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.

Teresina (PI), 13 de julho de 2026.

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