Mais de 500 pessoas procuraram a Polícia Civil desde a prisão do trader Douglas Fonseca e de outras dez pessoas durante uma operação realizada na última sexta-feira (11), em Teresina. Os denunciantes afirmam ter perdido dinheiro após investir em aplicações que prometiam rendimentos muito acima dos praticados pelo mercado financeiro.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou à TV Clube que investiu R$ 5 mil na empresa DF Group, que prometia rendimentos de 10% ao mês. Segundo o depoimento, a aplicação foi feita por meio de um aplicativo próprio da empresa. No entanto, após seis meses, o investidor afirma que não recebeu nenhum valor de retorno.
Ele contou que chegou a ir até o escritório da empresa, que chamou a atenção pela estrutura. “Coisa de outro mundo. Você pensa que está em outro país: tudo bem montado, pessoal bem vestido com ouro; induz você a investir. Como ficou constatado, uma pirâmide. Ele vinha pagando as pessoas com mais entradas de outras pessoas. Começou a parar os investidores e não tinha dinheiro para pagar ninguém”, disse.
Os relatos estão sendo reunidos pelas autoridades e podem ajudar no andamento das investigações sobre a atuação da empresa DF Group, alvo da operação deflagrada pela Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Secretaria de Segurança Pública do Piauí.

Diante do grande número de possíveis vítimas, a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Sudecon) iniciou, nesta segunda-feira (13), um atendimento específico para pessoas que alegam ter sido prejudicadas pela empresa.
A ação tem como objetivo orientar os consumidores sobre seus direitos, registrar reclamações formais e coletar informações que possam auxiliar as investigações. Além disso, o órgão busca identificar a extensão dos prejuízos e adotar medidas voltadas à defesa dos consumidores afetados.
O atendimento é destinado a pessoas que realizaram investimentos ou mantiveram qualquer tipo de relação de consumo com a empresa e agora buscam esclarecimentos sobre quais providências podem ser tomadas para tentar recuperar parte dos valores perdidos.
Segundo os relatos apresentados às autoridades, a empresa oferecia oportunidades de investimento com promessas de lucros elevados, atraindo centenas de investidores. Com a operação policial e as prisões realizadas, cresceu a procura por orientação jurídica e por canais oficiais para o registro das denúncias.
As investigações seguem em andamento para apurar a possível prática de crimes financeiros e identificar o total de pessoas afetadas pelo esquema.

O superintendente da Defesa do Consumidor, Júnior Macêdo, orienta que vítimas registrem boletim de ocorrência pelo B.O Fácil e encaminhem denúncias e provas pelo site da Secretaria de Segurança.
“No site, na aba da Sudecom, há um formulário para anexar denúncias e provas, auxiliando a Polícia Civil nas áreas criminal e civil, para analisar e catalogar as informações de consumidores piauienses prejudicados”, explicou.
Já o superintendente de Operações Integradas do Piauí, Matheus Zanatta, contou que as vítima aderiram aos investimentos por conta da promessa de retorno rápido, de até 10% ao mês. Ele reforça que empresas que operam para terceiros precisam autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“Trade é o investimento de curto prazo no mercado financeiro. Para benefício próprio não exige autorização, mas para terceiros sim. A DF Trade captava recursos sem autorização. O proprietário ostentava carros de luxo e viagens nas redes sociais para atrair novos investidores”, disse Zanatta.
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